quarta-feira, 15 de julho de 2015

NAAMÃ É CURADO DA LEPRA



Naamã é Curado da Lepra com Sete Mergulhos no Jordão
16 Abril, 2013

A história da cura da lepra de Naamã traz um lindo ensinamento sobre o poder da humildade e da obediência à palavra de Deus.
Naamã apesar de ser um estrangeiro, gentio sem conhecimento do Deus de Israel, creu na pequena, mas poderosa palavra de uma jovem escrava. E tudo é possível àquele que crer.
Vamos falar neste estudo, um pouquinho da vida deste fantástico personagem do livro de 2 reis 5:1-27, da sua cultura, da sua fé e das preciosas lições que a sua cura nos deixa, através dos significados que os sete mergulhos no rio Jordão representam para os cristãos de todos os tempos.
Os Sírios na Época de Naamã e Eliseu
Depois do grande reino de Salomão houve um conflito entre os israelitas, e o reino foi dividido em dois, o reino de Israel (reino do norte) constituído de dez tribos, e o reino de Judá (reino do sul) com apenas as tribos de Judá e Benjamim.
A Síria (não confundir com a Assíria, que era outra poderosa nação), estava localizada ao norte do reino de Israel, e pagava tributos ao rei Davi durante todo o seu reinado. Porém com a morte de Davi, os sírios reconquistaram a sua independência.
O reino de Israel e os Sírios, chamados algumas vezes de Arameus, também estiveram envolvidos em guerras pelo controle das rotas de comércio por cerca de 150 anos. Damasco tinha intenção de aumentar os seus negócios, mas Israel controlava todas as grandes rotas dos países ao sul do Egito e da Arábia.
Entretanto, todo comércio deveria passar por Damasco, para chegar aos mercados dos ricos países que formavam a mesopotâmia, uma rota de vital importância estratégica para Israel.
E neste contexto de interesses comerciais, ambos exércitos, tanto o de Israel e o exército Sírio, estavam constantemente engajados em batalhas pelo controle e hegemonia sobre tais caminhos por onde as caravanas com produtos passavam.
Naamã Era Comandante dos Exércitos da Síria. Ilustração.


Quem Era Naamã
Naamã, o arameu, foi um general do exército sírio, quando Ben-Hadade II era rei da Síria (860 - 842 a.c.). Em 2 reis 5:1 encontramos expressões que descrevem sua personalidade, sua honra e sua habilidade no combate.
"E Naamã, capitão do exército do rei da Síria, era um grande homem diante do seu SENHOR, e de muito respeito; porque por ele o SENHOR dera livramento aos sírios; e era este homem herói valoroso, porém leproso." 2 Reis 5:1
O rei era naquele tempo o comandante supremo, entretanto, colocava a frente do exército um general comandando suas tropas. As unidades eram geralmente formadas por 10, 50, 100 e 1000 homens. Cada oficial (sarim), comandava o gedud [do hebraico compahia], até 120 homens.
Os generais, comandavam o deguel [do hebraico "uma divisão de exército"], com mais de mil homens. Mas como Naamã era o general de todo o exército Sírio, ele comandava o degalim [do hebraico milhares], que estavam sob suas ordens.
Mesmo com tanto poder e autoridade, havia algo que trazia embaraço a Naamã, ele era leproso. Naturalmente os leprosos eram vistos como incapazes, dignos de pena, e eram mantidos longe da população, isolados em aldeias para leprosos, não tinham mais contato com a família e a sociedade.
Mas Naamã era um guerreiro fascinante, pois por meio dele os sírios já haviam recebido livramentos. Assim, foi mantido como chefe de suas tropas.
E Naamã em sua necessidade de autoafirmação como líder de um poderoso exército, em um tempo onde havia uma aliança de paz entre a Síria e Israel (para combater um inimigo comum que se expandia e ameaçava a ambos, a Assíria), pratica uma incursão chamada de [razia], e leva cativa uma jovem israelita.
A razia, diferente da guerra, não tinha por objetivo matar, mas apenas saquear e fugir sem sofrer danos. Era o "esporte" nobre do deserto e dos povos nômades e semi-nômades.
A Jovem Israelita Escrava de Naamã
A jovem israelita que foi feita escrava [do hebraico ebed] da mulher de Naamã, é um exemplo de fé e confiança no Senhor. Os escravos eram reduzidos pela guerra à situação de servidão em terra estrangeira, eram objetos de comércio em todo oriente antigo. Perdiam a liberdade e muitas vezes, a sua própria identidade.
O escravo era considerado estritamente uma "coisa" possuída por seu dono, que a tomou por direito de conquista. As antigas leis da mesopotâmia permitiam que o escravo fosse marcado com até três tatuagens.
Mas a jovem israelita, ensinada nos caminhos do Senhor, guardou a palavra em seu coração. E não hesitou em lançar uma pequena semente, como a de uma semente de mostarda, enquanto cuidava dos afazeres domésticos da casa da mulher de Naamã.
As escravas mulheres ficavam a serviço pessoal da dona da casa em que viviam.
"E disse esta à sua senhora: Antes o meu senhor estivesse diante do profeta que está em Samaria; ele o restauraria da sua lepra." 2 Reis 5:3
E esta pequena semente, encontrou terreno fértil no coração do general Naamã, que ao ouvir a mensagem da jovem israelita, imediatamente creu no Senhor. Aquela jovem ajudou a construir a paz.
E Naamã certamente já havia tentado a sua cura através de incontáveis rituais, dirigidos a diversos deuses, especialmente a rimom [o original seria aqui "ramam", 'aquele que faz trovejar', uma designação ao deus hadade, também conhecido como baal, adorado por todo oriente antigo].
Naamã usou pomadas(unguento com mirra e incenso), banhos com ervas e raízes, diversos tipos de receitas dos Xamãs sírios, mas nada o havia ajudado.
Naamã Vai a Eliseu
E ele se apressa em conseguir uma carta de recomendação do seu rei, ao rei de Israel. Ainda que tais cartas fossem comuns no antigo oriente, as frequentes razias e investidas de Ben-Hadade contra o norte de Israel, fizeram o rei suspeitar que era uma disfarce de Naamã para mais um ataque.
Mas o profeta Eliseu, guiado por Deus, pede ao rei que conceda o salvo conduto diplomático que Naamã precisava. Sabiamente, Eliseu era conhecedor que a paz não poderia ser mantida somente através de espadas e carros de combate.
Sucedeu, porém, que, ouvindo Eliseu, homem de Deus, que o rei de Israel rasgara as suas vestes, mandou dizer ao rei: Por que rasgaste as tuas vestes? Deixa-o vir a mim, e saberá que há profeta em Israel. 2 Reis 5:8
E Naamã parte em uma viagem de aproximadamente 138 km de Damasco a Dotã. Ele, depois de tanto esforço, esperava que Eliseu o recebesse e fizesse algum tipo de ritual mágico, algum tipo de oração forte, quem sabe um passe espiritual que o purificasse da sua lepra.
"Então Eliseu lhe mandou um mensageiro, dizendo: Vai, e lava-te sete vezes no Jordão, e a tua carne será curada e ficarás purificado." 2 Reis 5:10
Naamã esperava ter que fazer alguma coisa complicada, seguir alguma prescrição difícil, entretanto ele sai da casa de Eliseu com apenas uma simples palavra de obediência.
Bastava somente a obediência à palavra de Deus. Era preciso humildade e quebrantamento de toda altivez de um homem acostumado a dar ordens e a comandar exércitos numerosos, a se submeter aos sete mergulhos do rio Jordão.
"Porém, Naamã muito se indignou, e se foi, dizendo: Eis que eu dizia comigo: Certamente ele sairá, por-se-á em pé, invocará o nome do SENHOR seu Deus, e passará a sua mão sobre o lugar, e restaurará o leproso." 2 Reis 5:11
Naamã Se Banhando nas Águas do Rio Jordão. Ilustração.

Os Sete Mergulhos de Naamã no Jordão
O rio Jordão "aquele que desce", está localizado em um vale que constitui um fenômeno único no mundo. Na sua fonte, no pé do monte Hermom, ele está a 563m acima do nível do mar e quando deságua no mar morto atinge 392m abaixo do nível do mar.
E realmente, para se aproximar de Deus, muitas vezes é preciso trilhar pelo difícil caminho da descida e humilhação. Se Naamã não deixasse o seu orgulho, a sua autopercepção de altivez, ele não teria alcançado a misericórdia.
Mas ele abre mão de tudo o que era, e passa a cumprir o mandamento divino, se submetendo ao batismo da humildade e do quebrantamento, que por sete vezes simbolizava virtudes espirituais que devem estar presentes na vida daqueles que desejam passar pelas águas da purificação e do Espírito de Deus.
Nos Sete Mergulhos de Naamã:
·         O primeiro era o mergulho do amor, pois o amor é humilde e tudo suporta, tudo crê;
·         O segundo era o mergulho que traz um profundo gozo que se manifesta no coração daqueles que tem o prazer de cumprir os mandamentos de Deus;
·         O terceiro mergulho trouxe a paz e a serenidade, pois Naamã sabia que estava debaixo da vontade e da proteção divina;
·         O quarto era o mergulho que exercitava a longanimidade e a benignidade, alimentados com esperança, produzida pela provação dos sete batismos nas águas do Jordão;
·         O quinto mergulho falava da bondade divina, que não cobrava nada para fazer o bem, antes tudo operava por graça e pela graça;
·         O sexto era o mergulho da fé. A fé que foi necessária para se chegar até aqui, a fé de que com apenas mais um mergulho a benção de Deus se manifestaria;
·         O sétimo mergulho era o da mansidão e da temperança que foram produzidas após a provação que despertou a esperança, que levou à fé, que trouxe a materialização da cura da lepra de Naamã.
"Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança." Gálatas 5:22
E estas virtudes espirituais, juntamente com a obediência à palavra de Deus, performaram um lindo milagre, Naamã foi limpo e restaurado, pôde reconhecer que não há outro Deus como o Deus de Israel.
Então desceu, e mergulhou no Jordão sete vezes, conforme a palavra do homem de Deus; e a sua carne tornou-se como a carne de um menino, e ficou purificado." 2 Reis 5:14
E Naamã tenta agradecer a Eliseu, compensando-o com presentes caríssimos. Um talento de prata pesava 70 quilos. Ele não conhecia os meandros da graça e da misericórdia. Pensava ainda com as categorias dos deuses e dos "sacerdotes" sírios, que já haviam lhe cobrado tanto ouro e prata no passado, pelas performances dos rituais pagãos.
Mas o Deus de Abrão, Isaque e Jacó curava com as águas turvas do Jordão. Deus usa as pequenas coisas para confundir as grandes, e assim revela que é pelo seu poder e pela sua infinita bondade.
Eliseu conhecia os mistérios de Deus, sabia que o Senhor do universo, dono do ouro e da prata, não respondia ao vil metal perecível. A única riqueza que tem valor para Deus é o testemunho de um coração profundamente agradecido. Deus conhece o preço imensurável da gratidão.
E Naamã pôde experimentar dessa graça e desse perdão. Ele profundamente agradecido confessa com a sua boca que nunca mais serviria a nenhum outro Deus. O nome do Senhor foi grandemente engrandecido.
"Eis que agora sei que em toda a terra não há Deus senão em Israel;" 2 Reis 5:15
A Provação Produz Aperfeiçoamento
Muitas vezes temos entendimentos incompletos sobre o nosso Pai celeste. Temos fraquezas, vícios, maus hábitos ou algo que precisamos melhorar. E Deus nos ama mesmo assim. Mas isso não significa que Ele quer que continuemos da mesma forma errante.
E no seu muito amor por nós, Ele nos conduz por caminhos diversos, onde podemos ser provados. Mas Deus sabe até onde podemos suportar. Toda prova tem um objetivo, que é sempre nos aperfeiçoar e nos fazer crescer em fé e esperança.
Assim, não desanime. Seja qual for a sua luta, a sua prova, quantas vezes necessário for, desça, mergulhe. Muitas vezes a vitória vem pela humildade e pela obediência.

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